sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Análise Superficial e Pouco Científica da Última Sondagem do TunosTunas


A última sondagem por nós realizada aqui no tunos&tunas cingia-se à perguntita
“Eu tentei ir para a tuna porque:”. Havendo a possibilidade de respostas múltiplas, e tendo-se registado 56 participações, relevamos alguns resultados:
1. O “porque sim” teve 62% de respostas positivas;
2. 35% de nós entrámos na tuna à procura de magia na vida académica;
3. Um quarto da malta dá tanta importância ao gostar de música como ao comer uns/umas gajos(as) no momento de entrada para a tuna.
4. Só 10% dos que responderam “tinham a mania que gostavam de emborcar”, o que me parece alinhado com a quantidade de pós-pubertários abstémios ou bêbados que entram para a universidade com a mania de que o álcool traz o paraíso agarrado.
Mediante estes resultados e como este assunto pelos vistos tem bastantes interessados, decidimos fazer um novo inquérito, para ver se afinal a malta não se desiludiu nas expectativas de sucesso…

Vamos ver o que isto dá!
Marcelo Trintão

quinta-feira, 24 de julho de 2008

É impressão minha ou isto será mesmo assim?


Tal como no cinema fantástico, nesta coisa das tunas parece-me existirem universos paralelos; algumas vezes entrecruzando-se e/ou partilhando efémeros momentos, na maioria das vezes evolucionando por caminhos singulares como uma coreografia em que os bailarinos quase por milagre não se tocam, apesar de partilharem o mesmo espaço.
Para lá de uma algo ilusória existência de referências comuns, tem-se tornado cada vez mais claro o desenvolvimento de dois reversos universos diversos*.
De um lado, as tunas mistas com os seus próprios festivais e circuitos de amizades, com as suas tunas clássicas e os seus tunos barões, com o seu próprio caldo cultural. Do outro, as masculinas** e femininas que – apesar de nada o fazer prever há uns anos – têm vindo a percorrer, se não o mesmo caminho, pelo menos a mesma rede viária e com paragens nas mesmas estações de serviço; e, naturalmente, com as suas próprias tunas clássicas, e os seus barões, festivais e amizades.
Dir-me-ão que existem muitos pontos em comum nestes dois pseudo-universos, para lá do imaginário natural do que é uma tuna. Concordo. E existir, acho que existem, mas surgem-me como cada vez menores, fugazes e estranhos. A partilha do mesmo palco sucede com bem menos frequência do que na última década do século passado e, se virmos bem as coisas, as referências comuns cingem-se, em boa parte, ao reconhecimento da autoria de algumas músicas deste nosso mundo tunal.
Por exemplo, quem é que, pertencendo desde há 5 anos a uma tuna mista, conhece os mais antigos elementos de uma masculina ou feminina da mesma academia?
E ao contrário? Não se passará exactamente a mesma coisa?
Curiosamente, isto não sucede se fizermos este exercício apenas entre tunas masculinas e femininas.
Como sei que a classificação e a qualificação das circunstâncias advêm de um artificialismo humano, na procura de um sentido e de uma ordem que, para nós, são inerentes à própria realidade, ponho algumas reservas sobre a fidelidade destes meus pensamentos.

Romeu Sereno


* Não digam mal, pois a cacofonia foi propositada.
** “Masculinas”, passe a redundância.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Equilíbrio e União Entre as Linhas Morais: o Caso da Tuna


Acho que conhecem tão bem como eu a questão que faz o título desta peça. Ou seja, não estão muito por dentro do assunto...

Como não sou de filosofias, apesar de gostar de filosofar no sentido lúdico do termo, havia dado com os olhos nisto vai para um par de anos e esta coisa me ficou, desde então, nos pensamentos (que é como quem diz num papelito em cima da mesinha de cabeceira), lá me decidi a inventar umas patacoadas sobre o tema.

No dito bocado de papel, estava escrito pelo meu punho o seguinte:

EQUILÍBRIO E UNIÃO ENTRE AS LINHAS MORAIS
Epicurismo e estoicismo
Ética da virtude e ética da felicidade
Ética do dever e ética da utilidade

Hmmm...
Equilíbrio e união” visa significar, digo eu, que os pratos da balança se relacionam biunivocamente e que tendem a estabilizar essa relação num ponto estável.
Linhas” quererá dizer que as duas partes partilham a mesma direcção, que não o mesmo sentido. Portanto, deslocam-se no mesmo caminho.
Morais” porque se calhar o tema enquadra bem o caso do taberneiro a que se faz referência neste artigo: http://www.portugaltunas.com/default.asp?n=2107&sec=1.

Epicurismo versus estoicismo
Julgo que uma tuna é um expoente máximo desta moeda de duas faces. Considerando que um epicurista será uma pessoa que procura os prazeres dos sentidos e que um adepto do estoicismo será alguém espartano, que advoga a austeridade na virtude, qual o tuno que não se revê ao mesmo tempo no prazer e na austeridade?
A boémia musicada que a figura de tuno carrega e a praxe de tuna não farão em conjunto esta dualidade? Na minha opinião, acho que sim. Tudo isto me faz lembrar os Lusíadas (o livro, não o grupo musical) enquanto epopeia de provações e abnegações sublimada no Canto X da Ilha dos Amores.
“Quem tem capa sempre escapa”, nos momentos duros e nos macios… acrescento eu.

Ética da virtude versus ética da felicidade
Quem nunca foi assediado pelas tentações da carne (em todos os sentidos) quando em tuna? Aquela miúda está-me a micar, mas a minha namorada é capaz de não apreciar esta história… Não bebo mais que já levo a minha conta, mas este Tapada de Coelheiros que acompanha a jantarada do evento é bastante apelativo.
Quem nunca se achou farto de aturar o vereador da câmara municipal naquele evento importante quando o que lhe apetecia era ir tocar umas modas com o resto da tuna?
Quem não fez das tripas coração ao tocar numa festa de solidariedade quando finalmente tinha sido convidado por aquela amiga especial para ir beber um café?
Quem nunca executou uma tarefa encomendada a um caloiro só para lhe demonstrar que a mesma era exequível e que a praxe de tuna tem um sentido?

Ética do dever versus ética da utilidade
Esta aplica-se bem às guerras trajanas; tanto às do imperador romano como às da nossa vestimenta…
Além desse aspecto, devemos seguir a tradição por dever, por utilidade ou por um equilíbrio entre as duas? O equilíbrio dos pesos relaciona-se com a densidade dos corpos. Algo pouco pesado e que ocupa muito espaço tem menos densidade do que algo mais pesado e do mesmo tamanho. Ocupando o mesmo espaço, os dois corpos não têm a mesma densidade, pois não têm o mesmo peso. Ou seja, há por aí muito fogo de vista que mais parece fogo-fátuo. A consistência pode ajudar…

Depois destas divagações também elas um pouco fátuas (reconheço), eis-me no epílogo.

Uma vez frequentei um pequeno curso numa associação de debate de ideias a que pertenço e que se centrava sobre “Ética”. De tudo o que ouvi, o que retive mais profundamente foi que o limite ético pessoal do comportamento de cada um deve ser estabelecido de modo a gerar um equilíbrio entre o correcto e o exequível. Se assim não for, arriscamo-nos a um niilismo moral ou a uma incapacidade de cumprimento dos limites éticos pessoais que estabelecermos.

Meus amigos, encontrar o fiel da balança parece-me ser o que ansiamos.

Obrigado pela paciência e que os meus companheiros de blog me desculpem a reduzida tunalidade destes pensamentos.

Romeu Sereno

sexta-feira, 4 de julho de 2008

A Juliana Paes Tem Uma Surpresa Para Quem Não Gosta do Tunos&Tunas!

Clica na imagem se achares este blog uma parvoíce pegada.

O Tunos&Tunas, com o patrocínio de uma boa marca de cerveja, conseguiu assegurar a colaboração da simpática Juliana Paes.

Eu gosto é do Verão...
Tiago Alegre

terça-feira, 1 de julho de 2008

Motivações da estudantada que aparece a querer ir para a tuna mesmo sem fazer puto de ideia do que é uma dita


Nestes anos que levo de tuna, uma das coisas de que não me aparto é do meu espírito de observação e de uma vontade de crítica e autocrítica assim para o agridoce.

Um aspecto interessante das pessoas que chegam às tunas tem que ver com a sua motivação para tentar integrar um grupo deste género. Temos de tudo um pouco como na farmácia. E por vezes aparece-nos gente com várias destas motivações cruzadas.

Ora bem.
Temos o “porque é fixe”.
Temos o “porque gosto de música”, mesmo uivando como um lobo esfaimado e achando que percebe muito da coisa pois tem uma colecção de mais de 500 CD.
Temos os que querem arranjar desculpas para não serem naftalinosos.
Temos os que pensam que, pondo o traje em cima, ficam com um carisma que só lhes escapa a boazona do bairro e porque é fufa! Mas, mesmo assim…
Temos um clássico, dentro do género suburbano ou serrano, que apenas pretende… emborcar. Vale tudo desde que se mamem umas minis à borlix e se comam uns tremoços. Estes costumam acabar por preferir ficar no bar da faculdade a jogar às cartas e a emborrachar-se, pois sempre dá menos trabalho.
Temos, ainda, os que procuram o encantamento da vida académica plena. Às vezes têm sorte e lá lhes calha uma tuna tuna.
Temos os que querem simplesmente viajar, mesmo que em nada contribuam para o bem comum. Também se costumam inscrever no grupo de danças populares, no côro, no desporto universitário e no núcleo de estudantes africanos, mesmo tendo ascendentes luxemburgueses (desde que dê viagens de graça).
Temos, também, a malta que tem uma fixação pela pandeireta. Normalmente, isto nota-se mais nas mulheres, tanto das tunas mistas como femininas. Chegam e querem ir tocar pandeireta, pois parece fácil e dá-se uns saltos na boca de cena…
Temos os que querem aprender a tocar um instrumento. Destes, poucos se aguentam quando percebem que têm de investir muito tempo e dedicação à “causa” da aprendizagem e do treino.
E por fim, temos os famosos “porque sim”. Ahhh. Argumentos sólidos! E ainda falam de iliteracia.

Estou, claro está, a caricaturar as motivações dos estudantes que se apresentam como querendo entrar para a tuna. É assim como que uma iniciação à praxe de tuna, digamos.
Quando comecei nestas andanças, até devia ser dos “porque sim”, pois já nem me lembro dos motivos…

Vá. Respondei ao inquérito com bonomia e ide para a praia.
É possível a escolha múltipla!

Marcelo Trintão

segunda-feira, 30 de junho de 2008

E Esta? Hein?


E se de repente, ouvires a “Amélia dos Olhos Doces” a ressoar na tua rua e nela reconheceres a versão da TUIST?

Estava eu descansadito, a morrinhar num belo e calmo fim de tarde, quando ouço pela janela da cozinha uma voz de tuno a entoar:

“Amélia gaivota, amante, poeta,
Rosa de café.
Amélia gaiata, do bairro da lata,
Do Cais do Sodré.”


Preguei-me à janela e retorqui:

“Tens um nome de navio,
Teu corpo é um rio onde a sede corre.”


Silêncio absoluto.
– O cantador calou-se? Pelo menos por momentos, não esboçou reacção audível. Decerto que a surpresa o tolheu.
Passados uns minutos lá continuou, um pouco mais balbuciante, mas repetindo partes da música em jeito de ensaio. O som vinha do prédio ao lado, mas ainda estou para perceber de que andar…

Curiosamente, há um par de anos, fiquei com a nítida sensação de que umas estudantes que moravam no último andar do meu prédio seriam de uma tuna feminina, pois lá se ouvia, de tempos a tempos, um pouco de música de tuna tocada ao vivo. Parecia vir do andar das ditas raparigas, mas como sou introvertido, acabei por nunca perguntar nada.

Servem estes pequenos episódios para fazer notar aos leitores que por detrás de um qualquer vizinho pode estar um tuno. Por isso, não se sintam coibidos de cantar em casa a plenos pulmões e de tocar afinadinho músicas de tuna, pois qualquer dia podem ter a sorte de ser convidados para malhar uns copos com música em casa do vizinho ou de acabar a dar conversa sobre tunas a alguma miúda que até percebe da poda…

Tiago Alegre

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Remendos, Reforços & Convidados

Ora aqui está um tema que me alegra…

Desde há muito que a amizade e o companheirismo entre tunos são aspectos marcantes deste nosso universo. Infelizmente, têm sido, em muitos casos, remetidos para segundo plano por uma exacerbada procura dos prémios festivaleiros e por uma deriva para ambientes de cortar à faca entre várias tunas e respectivos tunos.

Contrariando a recorrência dos maus ares, um antigo hábito tem vindo a tornar-se, felizmente, bastante habitual. Refiro-me ao tema desta peça: Remendos, reforços & convidados.
Na altura do boom das tunas em Portugal, sucedia, com menor frequência que na actualidade, mas sucedia, existirem elementos de algumas tunas que tocavam com outras, como remendos, reforços ou meros convidados. Se, nessa época, os motivos se prendiam com a menor capacidade musical de alguns grupos, o que obrigava a solicitar, a espaços, a ajuda dos amigos, no presente os motivos são outros.

Comecemos pelo princípio, que é onde se deve iniciar. O que são, neste contexto, “remendos”, “reforços” e “convidados”?
Um remendo, em tuna, usa-se quando temos pessoas em falta para uma qualquer saída da tuna e necessitamos de suprir uma falta ou falha, usualmente musical. Sucede, bastas vezes, quando a tuna assume um compromisso e se vê na eminência de não o conseguir honrar com os seus elementos ordinários.
O reforço é um pouco diferente do remendo, pois parte-se do pressuposto de que a qualidade mínima está assegurada e apenas se quer fazer uma melhoria, um up grade; solicitando a presença de um elemento exterior à tuna em causa.
O convidado tem pressupostos de utilização diferentes dos anteriores, pois centra-se na pessoa desafiada para acompanhar a tuna, procurando, sobretudo, o aprazimento deste indivíduo durante a sua participação nesse contexto.

Gosto de qualquer destes três modelos de participação de extratunos, desde que sejam acauteladas algumas situações. Em primeiro lugar, uma tuna em que os remendos são usados com regularidade não estará de boa saúde, visto que não consegue manter a sua actividade habitual sem o apoio externo. No entanto, se usados com parcimónia, os remendos podem evitar alguns amargos de boca à tuna, pois evitam que esta falhe compromissos assumidos.
Por sua vez, a utilização de reforços tem bastantes vantagens, pois – sem pôr em causa a qualidade mínima da tuna e a sua coerência enquanto tal – acrescenta valências previamente inexistentes. Se se tornarem usuais e centrados na componente musical, em contexto competitivo os reforços podem ser perniciosos para o ambiente entre tunas. Os casos de músicos pagos para actuar como sendo elementos da tuna afiguram-se-me completamente absurdos. Não me refiro, naturalmente, à colaboração com músicos ou grupos musicais num qualquer evento; desde que essa colaboração seja clara para quem vê e ouve a tuna.
Por último, temos os convidados. Esta é uma figura muito interessante. Normalmente, a participação destas pessoas na tuna assume-se numa elevação social dos elementos desafiados. Convida-se alguém a partilhar um momento da tuna não porque a tuna ganhe algo de especial com isso, mas porque se tem o convidado em boa consideração. Conheço inúmeros casos destes e utilizo, amiúde, este modelo de relação com tunos e não-tunos.

Na actualidade, o companheirismo e a empatia intertunas (e intertunos) têm relação biunívoca com os remendos, reforços e convidados utilizados. Atrevo-me a afirmar que se houvesse mais de tudo isto, muitas questiúnculas festivaleiras da tanga seriam menorizadas, ou tenderiam a desaparecer.

Curiosamente, algumas tunas chegam ao ponto de formalizar o estatuto de convidado na sua hierarquia e na sua organização interna.

Julgo que esta será – dentre as várias tendências actuais – a mais positiva e a que contribuirá para um caldo de elevação sociocultural dos tunos&tunas.

E estou certo de que os meus parceiros de blog concordarão comigo.

Romeu Sereno

quarta-feira, 4 de junho de 2008

O Sábio – Episódio III e Epílogo

Londres. Terra de nevoeiros que fazem desaparecer pessoas. E não me refiro às “clientes” do famoso Jack…

Serafim, o nosso boémio, já havia acabado o curso e trabalhava na capital de distrito donde provinha, na sua área de formação original.
Um dia, deixei de saber dele, até que me contactou por email. Estava em Londres e tinha arranjado um emprego a lavar pratos num restaurante! Havia deixado a vida boémia, abandonara o trabalho na sua área de formação, e virara vegetariano abstémio.
Foi o choque. Um dia voltou a Portugal e fomos jantar a um vegetariano. Noutro dia, já passados uns bons tempos, retornou e tomámos um café, continuando as nossas conversas políticas, agora um bocado viradas para a sua nova opção de vida.

O seu endereço de correio electrónico deixou de funcionar e deixei de saber do Sábio.
No Natal do passado ano, recebi uma chamada no telemóvel. O número era de uma cabina telefónica da sua zona de origem e do outro lado desejaram-me bom ano. Não durou quinze segundos a chamada.

O Sábio Serafim que eu conhecia fez-se sumir na terra dos nevoeiros. Já não o reconheço, este vegetariano e abstémio… Apesar de manter a capacidade dialética.

Marcelo Trintão

P.S. Tanto a alcunha como o nome deste personagem não são os originais, por motivos óbvios.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

O Sábio – Episódio II

O Serafim não tocava piano, nem falava francês, mas arranhava, embora mal, uma guitarra portuguesa de afinação estranha e jogava futebol no clube lá da terra. Tinha, obviamente, um ar pálido a que se juntava um par de óculos que deixava escorregar até que ficassem pendurados na ponta do seu nariz aquilino, como um professor dos antigos.
Apesar do ar circunspecto, tinha um humor refinado, a caminho do britânico. Era trotskista e boémio, não acreditava no amor platónico, declamava poesia como ninguém, adorava a capa e, com isto tudo, ganhou a alcunha de “o Sábio”, pois, apesar da sua estranheza, era um gajo tido em consideração por todos os elementos da tuna, até hoje.

Um dos seus episódios mais caricatos deu-se numa saída da tuna, quando foi dormir a casa de outro elemento nosso. Este havia deixado uma cama feita para o Serafim dormir, com lençóis lavados e passados como manda a boa hospitalidade.
Ao chegar a casa do amigo, depois de uma boa noite de boémia, o Sábio – ao deparar-se com a cama feita – vira-se para o hospedeiro e profere quase declamando: “Quem tem capa sempre escapa!”.
Dito e feito. Enrolou-se na capa, deitou-se no chão, e assim dormiu consoladamente toda a noite…

Marcelo Trintão

P.S. Tanto a alcunha como o nome deste personagem não são os originais, por motivos óbvios.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

O Sábio – Prólogo e Episódio I

Corriam os anos 90 em força e assistia-se ao final das lutas académicas.

O Serafim era um gajo que havia bebido dos livros – e provavelmente da família – utopias revolucionárias e histórias da luta política à antiga, daquelas com discussões acaloradas pela boémia e pela porrada da polícia. Tudo o que lhe cheirasse a luta estudantil e a uma vida académica significante e marcante seria decerto para explorar. Não era a animação abjecta que procurava, mas tão só a vivência de momentos relevantes no seu percurso, a exemplo do que outras gerações estudantis haviam feito.

Nesses tempos, dois espaços se prestavam a encher-lhe as medidas. O primeiro e mais natural era a política académica, incluindo umas tertúlias informais que por vezes se geravam nesse ambiente das lutas académicas dos 90. O segundo era a tuna, com o seu imaginário das capas pretas, da boémia e da irreverência que transportava.

Tive o grato prazer de me cruzar com este personagem nestes dois espaços. No campo político, partilhávamos discussões infindas à volta de umas cervejolas com mais dois marmanjos – um deles actual presidente de uma câmara municipal, o outro uma referência para a malta da nossa tuna, apesar de estar retirado há muito – e analisávamos a actuação nos órgãos do poder universitário, apesar de sermos de órgãos diferentes e de não partilharmos os mesmos ideais.

Concomitantemente, o Serafim andava na tuna e encarava a coisa com um espírito que não conheci em muitos. Na altura, a praxe da nossa tuna era assim uma coisa um bocado para o insípida, a roçar a mera palhaçada. Isto da tuna sem praxe de qualidade é para meninos e o Serafim ameaçou sair se não fosse praxado com o mínimo de exigência, rigor, dureza e ritual! Julgo que foi aqui que abrimos a pestana e começámos a perceber que a tuna não era só a festa…

Marcelo Trintão

P.S. Tanto a alcunha como o nome deste personagem não são os originais, por motivos óbvios.