sábado, 5 de Dezembro de 2009

Mais um rombo no Titanic


Tenho um amigo, por sinal bastante chegado, que é talvez um dos melhores músicos clássicos portugueses no seu instrumento. Já tocou com todas as grandes orquestras portuguesas, algumas vezes como solista, e tem uma carreira bem cimentada. Curiosamente, é um gajo bem porreiro, um patusco que recebe em casa pessoal de todo o mundo para umas tainadas à antiga e que apresenta um respeito imenso pelos músicos sem formação clássica.


Desde há anos, tenho-lhe mostrado o trabalho cultural e social feito pelas tunas e contado umas histórias do meu percurso de tuno boémio, que ele vai acompanhando sem qualquer paternalismo artístico. Não será propriamente um amante de tunas, mas reconhece a importância de cada género musical, espaço artístico ou fenómeno cultural (como queiram). Infelizmente, moramos bastante afastados e nunca calhou levá-lo a um evento com tunas.

Ligou-me no passado domingo para contar uma história que, verdadeiramente, me envergonhou. Nesse fim-de-semana, andou a ensaiar com uns músicos estrangeiros que vieram a Portugal e, por acaso, foram beber um copo logo depois de um ensaio, carregando, ainda, os seus instrumentos. Do grupo de músicos estrangeiros, faziam parte umas moças de vinte e tal anos, pelos vistos bastante engraçadas. Já num determinado bar, a partir da mesa do lado, um grupo de malta meteu conversa com o grupo do meu amigo e disseram que também eram músicos e que eram da tuna X. Por coincidência, algumas das músicas que eu lhe havia mostrado eram dessa tuna, pelo que o meu amigo até lhe conhecia o nome.

O que se passou de seguida foi um ataque cerrado às miúdas jeitosas de vinte e tal anos por malta de quase quarenta anos, em termos pouco dignificantes. Em inglês, mandavam piropos tão elevados como “vem mas é para esta mesa para levares umas palmadas”, “eu fazia-te isto e aquilo”, perante o ar espantado e envergonhado desse meu amigo, que não é propriamente um menino ou um monge…

Acrescento apenas que ele começou o telefonema em que me contou a história com um “Encontrei uns amigos teus…” e terminou com um “Ainda bem que não fui eu que escolhi o bar!”. E ainda comentou: “Realmente há malta que envelhece mal...”.

Pedi-lhe desculpa, apesar de nada ter que ver com o caso, e fiquei a pensar se não lhe havia andado a contar histórias da carochinha todos estes anos…

Mais um rombo no Titanic.

Tiago Alegre

sábado, 28 de Novembro de 2009

Cogitações sobre o carcanhol

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Peço paciência aos caros leitores, mas tentarei discorrer simplificando o que me parece, apesar de tudo, complexo.

Está provado cientificamente(1) que os tunos primevos tocavam umas modinhas para saciar parte das suas necessidades. Necessidade de amor, de comes e bebes, de guitarradas e de subsídios para os transportes (o passe escolar da altura), entre outras.

Eis que surge o tema de hoje: carcanhol, pastel, pasta, cobres, trocos, pilim, bago, bagalhuço, cheta ou quaisquer outros sinónimos para pôr ao bolso.

Se aos nossos antepassados era lícito embolsar individualmente uma quantia repartida de uma actuação colectiva, tal poderá sê-lo na actualidade? Ficaríamos chocados, ou não, se víssemos um amigo bastar-se ao exercer a sua condição de tuno? E se fosse um antigo estudante a fazê-lo, seria menos lícito?

Estas cogitações já me assaltavam a mente, que não a carteira, há tempo largo. Muitos de vós dir-me-ão que as tunas já não têm existência contingencial, que já não servem para cumprir, financeiramente, esses propósitos e que, agora, são colectividades sem fins lucrativos.

Pergunto-me porque não poderão ter fins lucrativos e porque não poderão servir financeiramente para a satisfação das necessidades individuais dos seus membros. E se for a satisfação financeira plena dessas necessidades (profissionalização)?

Não tenho uma opinião claramente formada a este respeito, mas em qualquer dos extremos opinativos encontro argumentos que contrariam a memória desses nossos antepassados.

Para terminar, o que pensariam se alguém procurasse lançar uma tuna verdadeiramente profissional? Falo de uma tuna e não de um mero grupo musical travestido de bando de pinguins

Declaração de interesses: Obviamente, não pretendo lançar qualquer tuna profissional, ou coisa parecida, tão-só reflectir sobre a problemática do $ no quadro da tuna.

(1) Esta frase fica sempre bem em qualquer conversa de tasca, mormente nesta.
 
Romeu Sereno

terça-feira, 9 de Junho de 2009

Um olhar extasiado sobre a dialéctica…

Bolas!!!Inspirado numa conversa amena!

Bom… Nem sei bem por onde começar. Vai já pelo início, pois está mais à mão.

– Ah e tal, que o vosso traje, além de foleiro, não respeita a tradição.
Manel – A tradição do nosso traje fomos nós que a inventámos, por isso baitesfodaçar.
– Mas essa tradição devia respeitar uma tradição bem mais antiga que era a da malta fixe.
Manel – Mas quem és tu para dizeres o que é fixe? Antes disso, já o Soares o tinha dito em campanha, por isso ele é que é o maior!
– Mas estamos a falar de fixe peixe ou fixe porreiro? É que se não sabes o que é um anglicismo, não tarda tou eu a cmeçar a screver em crioulo amarikano SMSiado.
Manel – eu n disse?? J’Tás a Tresler!
– Dasse! q’éssa m*rda de substantivo nominativo??? Vai mazé ler a TLEBS qué pa tinstruires, pá!
Manel – Tás-ma m’insultares-me? Olha qu’eu tou a tirar o doutoramento em engenharia de coiso com apoio do coisital.
Jaquim – Eu sugeria aos meus ilustres amigos que tivessem um pouco de elevação na discussão, em prol da capacidade de formar uma opinião esclarecida. Vá, comam lá a papinha e depois leiam os artigos sobre o assunto que eu vi publicados na Web of Knowledge.
– Ó Jaquim, cala-te lá, que eu dou conta deste gajo. Dos tenrinhos é que eu gosto…


Escolha a continuação da história e aponha nos comentários, para ver se isto ainda termina bem…

Marcelo Trintão

sexta-feira, 8 de Maio de 2009

Posta da Semana III [era para ter sido há uns tempos...]


Notas sobre Tunas de Veteranos & Cuarentunas in http://notasemelodias.blogspot.com/2009/04/notas-sobre-tuna-de-veteranos.html

Mais do que merecidamente, aqui está uma bela posta de garoupa fresca!
É saborosa, merece discussão – para quem quer, sabe e anda com tempo para isso – e come-se mesmo sem muita fome.
Parabéns ao bloguista do N&M, futuro emérito fundador da LBT e, quiçá, membro do Conselho de Administração da LBT, SAT.
Quando fizerem a acta de constituição, avisem, para esta malta da Tasca dos Pinguins assinar por baixo…

Romeu Sereno

P.S. Não vou explicar as siglas. Deitem a adivinhar, pois tem muito mais piada.

quarta-feira, 22 de Abril de 2009

O Críquete e a Falácia nos eventos de tunas

Federação Internacional de CríqueteNos eventos de tunas dirigidos a um público (porque também os há para mero consumo das próprias), existe um ponto fulcral no evento: o público. Ou seja, se não nos fixarmos no consumidor cultural, esquecemos o essencial. Bem podemos gostar mais do “intervalo do jogo”, mas não há intervalo sem jogo; mesmo que tenhamos uma lógica de evento mais abrangente do que um mero espectáculo musical.

Como exemplo, no críquete clássico, os eventos poderiam durar quase uma dezena de dias, pois os intervalos do jogo (no sentido estrito) também interessavam e o chá continua a dever ser bebido devagar…

Com o advento dos “tempos modernos”, os intervalos para chá, scones e quejandos diminuíram de duração – a bem da sanidade mental do público, dos jogadores, de todos – apesar de o jogo continuar idêntico na sua essência. E ainda há eventos de críquete a durarem uns bons dias.

Deste modo, temos que, quando o evento não está centrado num público, o ritual continua a ser idêntico e demora-se o tempo que os produtores/consumidores do mesmo entenderem como suficiente para fruir o críquete em todo o seu esplendor.

Ora, esta plasticidade faz-nos falta a todos. Se temos alguém a pagar, seja público, seja patrocinador, devemos proporcionar um retorno adequado ao investimento de essoutro, sob pena de ocorrerem perdas futuras para a tuna (enquanto pessoa colectiva ou enquanto mero conceito). E não me parece que os espectadores de críquete paguem bilhete focados no chá e nos scones (apesar de isto ser parte do contexto cultural deste desporto)!

Naturalmente, nada implica que se atente contra a essência do que é uma tuna, pois quem assiste a um evento de tunas deve esperar ver tunas.

A falácia está em considerarmos que pode haver intervalo de qualidade sem jogo; um pouco ao jeito dos que – por aí e erroneamente – consideram poder haver jogo de qualidade sem intervalo…

Romeu Sereno

terça-feira, 21 de Abril de 2009

T&T – Twitter&Tunas? – A resposta

Contrariamente ao esperado (pelos vistos só por mim), os twitters das tunas não têm seguidores em barda, ávidos de novidades. Como se percebe pelos resultados do inquérito (ver tabela abaixo), apenas o Orfeão do Porto e a RTA de Viseu arrecadaram dois seguidores. É curioso que 11 leitores deste blogue acabem por considerar esta cena do twitter um bocado… como hei-de dizer?... exótica.
Traduzindo, o certo, certo… é que, na generalidade dos casos, o pessoal é homofóbico e considera que a tecnologia está directamente ligada à mariquice. Numa visão alternativa, como “to twit” parece equivaler a “piar” ou “chilrear” – ou, numa tradução mais livre, “dar à língua” (*) – a coisa até pode ser mais fácil de entender

Seguidores – endereços de twitter
1 - http://twitter.com/portugaltunas
1 - http://twitter.com/youtunas
0 - http://twitter.com/TAFEP
0 - http://twitter.com/maestigama
0 - http://twitter.com/Afonsina
1 - http://twitter.com/magnatuna
0 - http://twitter.com/tasca_setubal
2 - http://twitter.com/Orfeao_UP
2 - http://twitter.com/RTAVISEU
0 - http://twitter.com/Carpe_Noctem_ul
1 - http://twitter.com/TunaF_OUP
1 - http://twitter.com/MTCartola
0 - http://twitter.com/estudantinaeseb
0 - http://twitter.com/copituna
11 - Não gosto muito dessas mariquices…

Tiago Alegre

(*) http://www.answers.com/topic/twitter

sexta-feira, 3 de Abril de 2009

E aí está… mais uma jogada de belo recorte técnico.

Olissippo - Tuna Mista de LisboaDepois da fundação da Extudantina dos Açores (ver artigo), eis que surge mais uma tuna de academia ou de ex-tunos em Portugal.

Duas tunas de academia masculinas e duas femininas depois e, voilá, lança-se a primeira mista da academia de Lisboa. Olissippo, de seu nome, assume-se como a Tuna Mista de Lisboa. Quem falava em crise, andava a dormir.

O manifesto inicial é bonito e mostra o empenho das gentes que abraçaram a causa. Pelo que percebi, é mais um projecto lançado por enfermeiros ou futuros enfermeiros de Lisboa; que por acaso até nem gostam muito de fundar tunas… Em contas por alto, uma vintena delas já nasceu pela “mão que segura a seringa” (aqui também dá a “mão que embala o berço”)! Realmente, isso das picas dá muita pica.

Nasce em berço sagrado: na própria Sé de Lisboa. Estranho a bênção do Cardeal de Lisboa a um projecto laico, mas ainda bem que teve essa honra, pois nem a Tuna BU (*) me parece haver tido tão sacra natividade.

Como, pelos vistos, já têm gente com padrinhos de tuna (ou na tuna), presumo que o percurso até “Veterano” possa ser realizado em curto prazo; o que me parece bem, pois revela alinhamento com o mercado. É o sinal dos tempos e Bolonha não aconteceu por acaso. A não ser que tragam padrinhos de outra tuna, o que pode confirmar a actividade frenética da malta que nos trata da saúde.

Como medida de precaução, peço desculpa aos fundadores da Olissippo pelas palmaditas, mas todo o recém-nascido leva algumas. :)

De qualquer maneira, isto é tudo conversa de treinador de bancada em jeito de Velhos dos Marretas, o que retira a possibilidade de um processo em tribunal ou de uma espera à porta da tasca dos pinguins. Não me enganei, pois não? Notem que até utilizei um sorriso no parágrafo acima!!!!

Seja bem-vindo, quem vier por bem.

É favor visitar a Olissippo em http://tuna-olissippo.blogspot.com/.

Tiago Alegre

(*) Tuna do Grupo Bíblico Universitário.

P.S. Registo que também dois elementos [número actualizado em 06/04/2009] do IADE.

terça-feira, 31 de Março de 2009

O bas-fond da blogosfera tuneira

BNRbDesde que surgimos no ciberespaço, temos, como uma de milhares de referências do tunos&tunas (embora já tenhamos andado à chapada por causa desta minha afirmação…), o blogue de futebol BNRb. Não é que concordemos com o assumido baixo nível da linguagem aí utilizada, mas a ironia das postas e o fino recorte técnico das jogadas cativam qualquer leitor que tenha um sentido de humor pelo menos ao nível do de Sócrates, Ferreira Leite, Portas, Louçã e Jerónimo juntos. (*)
O dono da chafarica é um antigo tuno antigo. Ou seja, é um antigo tuno e era à antiga quando andava nesta má vida. Curiosamente, algumas das músicas que escrevia já revelavam, na altura, a veia para a palermice pegada. Bem… isto, por acaso, até é falso, pois o moço até tinha alguma queda.

Anseio pelo momento em que – para aí no lançamento da Web 4.1 – tenhamos feito o que ele fez. E o que é que ele fez, perguntais vós?
Ora… criou a Federação de Blogs de Futebol, com para aí uns cem blogues associados. Se, por essa altura, já houver mais de quatro blogues (actualizados) de cumbersa sobre tunas, nós aqui somos machos para comer uns tremoços, beber umas mines e lançar a bola aos Notas&Melodias, Túnicas e As Minhas Aventuras na Tunolândia para se chegarem à frente nessa organização.
Mas não se preocupem que a malta depois adere ao projecto, pois quer é mamar à conta do trabalho dos outros.

De qualquer modo, podem imaginar o tunos&tunas a ser redigido numa daquelas tascas com mesas e balcão de tampo de mármore pegajoso; as postas escritas em guardanapos, enquanto uns tipos vestidos de pinguim fazem ranger umas cordas de guitarra e os dentes da assistência.

Fiquem bem e não se estraguem muito…

Marcelo Trintão

(*) Só lá estão os cinco da vida airada para não dizerem que isto é um blogue partidário. Os partidos sem assento parlamentar que me desculpem, mas só estes é que têm capacidade financeira para contratar, na blogosfera, assessores de imprensa ou tipos da escrita criativa.

sexta-feira, 27 de Março de 2009

1 ano de T&T

Vão trabalhar, malandros!No passado dia 17 de Março de 2009 comemorámos um anito de trabalho árduo e construtivo em prol da elevação da tuna ao pedestal de movimento cultural de referência no desenvolvimento social e artístico da ideia de um Portugal simultaneamente contemporâneo e tradicional enquanto exemplar único de país equilibrado na consciência das massas e inovador nos conceitos produzidos pelas elites contextualizados numa procura contínua de qualidade aferida por um conjunto de indicadores susceptíveis de gerar um enquadramento potenciador de uma integração comparativa com os demais estados numa prospectiva holística de um mundo melhor.
Ou… se calhar nem por isso.

Tunos&Tunas

P.S. Esta foi a primeira posta de pescada do blog: Mensagem de Abertura

quinta-feira, 26 de Março de 2009

T&T – Twitter&Tunas?

Twitter? Tunas?
Assim em jeito de twitt, acabei de fazer uma lista.

http://twitter.com/portugaltunas
http://twitter.com/youtunas
http://twitter.com/TAFEP
http://twitter.com/maestigama
http://twitter.com/Afonsina
http://twitter.com/magnatuna
http://twitter.com/tasca_setubal
http://twitter.com/Orfeao_UP
http://twitter.com/RTAVISEU
http://twitter.com/Carpe_Noctem_ul
http://twitter.com/TunaF_OUP
http://twitter.com/MTCartola
http://twitter.com/estudantinaeseb
http://twitter.com/copituna
Tiago Alegre