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domingo, 24 de janeiro de 2010

Sempre que o amor me quiser…



Olá, aqui estou eu.

Este vídeo serve para lançar um tema um bocado esquivo: o amor entre quem anda nesta coisa das tunas. Podemos começar por um subtema curioso, pois “não sei se já aconteceu convosco, mas com uma amiga minha já”.*

Falo de casos em que uma tuna dá uma atenção especial a uma tuna feminina. Ora é uma ajuda para troca de experiências musicais, ora são uns convites para ir assistir aos espectáculos uns dos outros e, de repente, quando se dá por ela, já há umas saídas de tuna em que aparece um grupo especial de fãs.

A curiosidade antropológica no meio disto é que, muitas vezes, surge uma bola de neve que descamba num conjunto de casalinhos (mais fortuitos ou mais duradouros). Do que conheço, estas fases de enamoramento colectivo tendem a durar um par de anos e a coisa depois acalma, eventualmente com outro par de tunas a aparecer e a cumprir o ritual.  :)

A coisa ainda tem mais piada porque que nem é tanto entre tunas da mesma academia/faculdade/instituto que o caso é mais comum! De todo o modo, “quem nunca pecou que atire a primeira pedra”.*

Marlene no Arame

*Frases clássicas para fugir com o rabo à seringa.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Remendos, Reforços & Convidados

Ora aqui está um tema que me alegra…

Desde há muito que a amizade e o companheirismo entre tunos são aspectos marcantes deste nosso universo. Infelizmente, têm sido, em muitos casos, remetidos para segundo plano por uma exacerbada procura dos prémios festivaleiros e por uma deriva para ambientes de cortar à faca entre várias tunas e respectivos tunos.

Contrariando a recorrência dos maus ares, um antigo hábito tem vindo a tornar-se, felizmente, bastante habitual. Refiro-me ao tema desta peça: Remendos, reforços & convidados.
Na altura do boom das tunas em Portugal, sucedia, com menor frequência que na actualidade, mas sucedia, existirem elementos de algumas tunas que tocavam com outras, como remendos, reforços ou meros convidados. Se, nessa época, os motivos se prendiam com a menor capacidade musical de alguns grupos, o que obrigava a solicitar, a espaços, a ajuda dos amigos, no presente os motivos são outros.

Comecemos pelo princípio, que é onde se deve iniciar. O que são, neste contexto, “remendos”, “reforços” e “convidados”?
Um remendo, em tuna, usa-se quando temos pessoas em falta para uma qualquer saída da tuna e necessitamos de suprir uma falta ou falha, usualmente musical. Sucede, bastas vezes, quando a tuna assume um compromisso e se vê na eminência de não o conseguir honrar com os seus elementos ordinários.
O reforço é um pouco diferente do remendo, pois parte-se do pressuposto de que a qualidade mínima está assegurada e apenas se quer fazer uma melhoria, um up grade; solicitando a presença de um elemento exterior à tuna em causa.
O convidado tem pressupostos de utilização diferentes dos anteriores, pois centra-se na pessoa desafiada para acompanhar a tuna, procurando, sobretudo, o aprazimento deste indivíduo durante a sua participação nesse contexto.

Gosto de qualquer destes três modelos de participação de extratunos, desde que sejam acauteladas algumas situações. Em primeiro lugar, uma tuna em que os remendos são usados com regularidade não estará de boa saúde, visto que não consegue manter a sua actividade habitual sem o apoio externo. No entanto, se usados com parcimónia, os remendos podem evitar alguns amargos de boca à tuna, pois evitam que esta falhe compromissos assumidos.
Por sua vez, a utilização de reforços tem bastantes vantagens, pois – sem pôr em causa a qualidade mínima da tuna e a sua coerência enquanto tal – acrescenta valências previamente inexistentes. Se se tornarem usuais e centrados na componente musical, em contexto competitivo os reforços podem ser perniciosos para o ambiente entre tunas. Os casos de músicos pagos para actuar como sendo elementos da tuna afiguram-se-me completamente absurdos. Não me refiro, naturalmente, à colaboração com músicos ou grupos musicais num qualquer evento; desde que essa colaboração seja clara para quem vê e ouve a tuna.
Por último, temos os convidados. Esta é uma figura muito interessante. Normalmente, a participação destas pessoas na tuna assume-se numa elevação social dos elementos desafiados. Convida-se alguém a partilhar um momento da tuna não porque a tuna ganhe algo de especial com isso, mas porque se tem o convidado em boa consideração. Conheço inúmeros casos destes e utilizo, amiúde, este modelo de relação com tunos e não-tunos.

Na actualidade, o companheirismo e a empatia intertunas (e intertunos) têm relação biunívoca com os remendos, reforços e convidados utilizados. Atrevo-me a afirmar que se houvesse mais de tudo isto, muitas questiúnculas festivaleiras da tanga seriam menorizadas, ou tenderiam a desaparecer.

Curiosamente, algumas tunas chegam ao ponto de formalizar o estatuto de convidado na sua hierarquia e na sua organização interna.

Julgo que esta será – dentre as várias tendências actuais – a mais positiva e a que contribuirá para um caldo de elevação sociocultural dos tunos&tunas.

E estou certo de que os meus parceiros de blog concordarão comigo.

Romeu Sereno