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quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

É um franchising, estúpido!

E em vez dessas mariquices de federações e quejandos, não podia ser antes um franchising? É que já estou a ver a cena toda…

Fornecemos:

– Traje padronizado individualmente e bandeira/estandarte com símbolo pré-desenhado
– Desconto na aquisição de instrumentos junto de fornecedor de qualidade (instruções em Inglês de Hong-Kong)
– Curso de formação musical de 2 horas creditado com avaliação (Fundo Social Europeu)
– Contactos para actuação grátis em festa académica ou em festa dos bombeiros voluntários
– Rali das tascas pré-organizado (pacote Excelsior)
– Magister incluído por três meses (pacote Excelsior)
– Fatos de pinguim para caloiros (NOVIDADEmuito giros!!)
– Inscrição no PortugalTunas com desconto de 50%
– Código da praxe validado por sargento da 6.ª Companhia de Engenharia destacada nas Berlengas durante a Guerra Colonial (2005-2008)
– Apadrinhamento garantido em cerimónia à beira-mar

E ainda oferecemos, por tuno, após aprovação no curso de formação musical...

– Barril de cerveja do nosso patrocinador oficial (2,5l)
– Emblema “eu também sou tuno” para a capa
– Conjunto quase novo de serpentinas amarelas e verdes do Carnaval carioca de 2003

Preços mediante consulta

Espectáculo!
Marcelo Trintão

quarta-feira, 22 de abril de 2009

O Críquete e a Falácia nos eventos de tunas

Federação Internacional de CríqueteNos eventos de tunas dirigidos a um público (porque também os há para mero consumo das próprias), existe um ponto fulcral no evento: o público. Ou seja, se não nos fixarmos no consumidor cultural, esquecemos o essencial. Bem podemos gostar mais do “intervalo do jogo”, mas não há intervalo sem jogo; mesmo que tenhamos uma lógica de evento mais abrangente do que um mero espectáculo musical.

Como exemplo, no críquete clássico, os eventos poderiam durar quase uma dezena de dias, pois os intervalos do jogo (no sentido estrito) também interessavam e o chá continua a dever ser bebido devagar…

Com o advento dos “tempos modernos”, os intervalos para chá, scones e quejandos diminuíram de duração – a bem da sanidade mental do público, dos jogadores, de todos – apesar de o jogo continuar idêntico na sua essência. E ainda há eventos de críquete a durarem uns bons dias.

Deste modo, temos que, quando o evento não está centrado num público, o ritual continua a ser idêntico e demora-se o tempo que os produtores/consumidores do mesmo entenderem como suficiente para fruir o críquete em todo o seu esplendor.

Ora, esta plasticidade faz-nos falta a todos. Se temos alguém a pagar, seja público, seja patrocinador, devemos proporcionar um retorno adequado ao investimento de essoutro, sob pena de ocorrerem perdas futuras para a tuna (enquanto pessoa colectiva ou enquanto mero conceito). E não me parece que os espectadores de críquete paguem bilhete focados no chá e nos scones (apesar de isto ser parte do contexto cultural deste desporto)!

Naturalmente, nada implica que se atente contra a essência do que é uma tuna, pois quem assiste a um evento de tunas deve esperar ver tunas.

A falácia está em considerarmos que pode haver intervalo de qualidade sem jogo; um pouco ao jeito dos que – por aí e erroneamente – consideram poder haver jogo de qualidade sem intervalo…

Romeu Sereno