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sexta-feira, 3 de abril de 2009

E aí está… mais uma jogada de belo recorte técnico.

Olissippo - Tuna Mista de LisboaDepois da fundação da Extudantina dos Açores (ver artigo), eis que surge mais uma tuna de academia ou de ex-tunos em Portugal.

Duas tunas de academia masculinas e duas femininas depois e, voilá, lança-se a primeira mista da academia de Lisboa. Olissippo, de seu nome, assume-se como a Tuna Mista de Lisboa. Quem falava em crise, andava a dormir.

O manifesto inicial é bonito e mostra o empenho das gentes que abraçaram a causa. Pelo que percebi, é mais um projecto lançado por enfermeiros ou futuros enfermeiros de Lisboa; que por acaso até nem gostam muito de fundar tunas… Em contas por alto, uma vintena delas já nasceu pela “mão que segura a seringa” (aqui também dá a “mão que embala o berço”)! Realmente, isso das picas dá muita pica.

Nasce em berço sagrado: na própria Sé de Lisboa. Estranho a bênção do Cardeal de Lisboa a um projecto laico, mas ainda bem que teve essa honra, pois nem a Tuna BU (*) me parece haver tido tão sacra natividade.

Como, pelos vistos, já têm gente com padrinhos de tuna (ou na tuna), presumo que o percurso até “Veterano” possa ser realizado em curto prazo; o que me parece bem, pois revela alinhamento com o mercado. É o sinal dos tempos e Bolonha não aconteceu por acaso. A não ser que tragam padrinhos de outra tuna, o que pode confirmar a actividade frenética da malta que nos trata da saúde.

Como medida de precaução, peço desculpa aos fundadores da Olissippo pelas palmaditas, mas todo o recém-nascido leva algumas. :)

De qualquer maneira, isto é tudo conversa de treinador de bancada em jeito de Velhos dos Marretas, o que retira a possibilidade de um processo em tribunal ou de uma espera à porta da tasca dos pinguins. Não me enganei, pois não? Notem que até utilizei um sorriso no parágrafo acima!!!!

Seja bem-vindo, quem vier por bem.

É favor visitar a Olissippo em http://tuna-olissippo.blogspot.com/.

Tiago Alegre

(*) Tuna do Grupo Bíblico Universitário.

P.S. Registo que também dois elementos [número actualizado em 06/04/2009] do IADE.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

É impressão minha ou isto será mesmo assim?


Tal como no cinema fantástico, nesta coisa das tunas parece-me existirem universos paralelos; algumas vezes entrecruzando-se e/ou partilhando efémeros momentos, na maioria das vezes evolucionando por caminhos singulares como uma coreografia em que os bailarinos quase por milagre não se tocam, apesar de partilharem o mesmo espaço.
Para lá de uma algo ilusória existência de referências comuns, tem-se tornado cada vez mais claro o desenvolvimento de dois reversos universos diversos*.
De um lado, as tunas mistas com os seus próprios festivais e circuitos de amizades, com as suas tunas clássicas e os seus tunos barões, com o seu próprio caldo cultural. Do outro, as masculinas** e femininas que – apesar de nada o fazer prever há uns anos – têm vindo a percorrer, se não o mesmo caminho, pelo menos a mesma rede viária e com paragens nas mesmas estações de serviço; e, naturalmente, com as suas próprias tunas clássicas, e os seus barões, festivais e amizades.
Dir-me-ão que existem muitos pontos em comum nestes dois pseudo-universos, para lá do imaginário natural do que é uma tuna. Concordo. E existir, acho que existem, mas surgem-me como cada vez menores, fugazes e estranhos. A partilha do mesmo palco sucede com bem menos frequência do que na última década do século passado e, se virmos bem as coisas, as referências comuns cingem-se, em boa parte, ao reconhecimento da autoria de algumas músicas deste nosso mundo tunal.
Por exemplo, quem é que, pertencendo desde há 5 anos a uma tuna mista, conhece os mais antigos elementos de uma masculina ou feminina da mesma academia?
E ao contrário? Não se passará exactamente a mesma coisa?
Curiosamente, isto não sucede se fizermos este exercício apenas entre tunas masculinas e femininas.
Como sei que a classificação e a qualificação das circunstâncias advêm de um artificialismo humano, na procura de um sentido e de uma ordem que, para nós, são inerentes à própria realidade, ponho algumas reservas sobre a fidelidade destes meus pensamentos.

Romeu Sereno


* Não digam mal, pois a cacofonia foi propositada.
** “Masculinas”, passe a redundância.