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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Um ligeiro equívoco

Sobre o tema do momento, fico encantado por duas pessoas ligadas a tunas chegarem bem longe num concurso musical visto pelo grande público (Ídolos, para os mais desatentos), em especial quando são boa gente.

Andei a navegar na rede e deparei com uma entrevista do Martim em que lhe era perguntado, entre outras coisas, se já havia feito uma serenata a alguém especial.

Reproduzo a passagem:
Já fizeste uma serenata a alguém especial?
Não. Eu sou solista da minha tuna de uma serenata que temos e, por isso, já a cantei em muitos sítios, nos quais a dedicava normalmente às mulheres que lá estavam presentes. Seriam com as palmas destas que se saberia se a tuna ganharia ou não o prémio final.

Não pressentem aqui um ligeiro equívoco? A magia de fazer uma serenata não me parece a mesma magia de evocar uma serenata para ganhar o prémio final.

Se esta visão vingar, qualquer dia apenas restará às tunas retratar uma realidade desaparecida in illo tempore, quais grupos folclóricos. A bem ver, poderão não andar longe disso...

O mais curioso é que não lembra a ninguém fora deste nosso meio vir perguntar se uma tuna ganhou algum prémio. Porque será?

Tiago Alegre

P.S. Aceito que se o “prémio final” houver sido mencionado em sentido figurado, a coisa até possa fazer algum sentido… Embora, nesse caso, a questão das mulheres a bater palmas já me pareça um avanço extremamente arrojado. :)

terça-feira, 23 de novembro de 2010

PASC - Plataforma Activa da Sociedade Civil

Caros leitores,
Deixo-vos uma sugestãozinha para abrirem a pestanózia: http://pasc-plataformaactiva.blogspot.com/
Era bonito esta coisa da Plataforma Activa da Sociedade Civil adaptada às tunas, não era?! :)
"Ah e tal, isso é uma cena um bocado intelectual, os textos publicados têm muitas palavras e cansa um bocado o people..."
Tudo bem, tendes razão. Estou armado em pandeireta de corrida. Esqueçam lá este devaneio e ficamos amigos como dantes. Vá... Ide beber o vosso copinho e deixai os dois neurónios a jogarem à bisca dos nove na tasca do Zé Manel dos frangos.
Abraços para todos
Romeu Sereno
P.S. Não se esqueçam de que até numa escala musical se vê a matemática e de que os versos de uma canção apresentam um número ideal de sílabas...

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Posta da Semana VII

"Eia, man, bué fixe."

Caros leitores,

Finalmente, voltámos a ter um tópico do Portugal Tunas que se consegue ler com muito proveito para todos!
Direi que, até este momento, 50% das frases escritas são para emoldurar como exemplo, 20% para pensar seriamente e 30% para arquivar no sítio do costume.

Parabéns aos intervenientes, pois já andava a pensar em cortar os pulsos...

Romeu Sereno

domingo, 17 de outubro de 2010

A propósito de 25 anos...

Ora aqui está uma reprodução de um documento importantíssimo na história das tunas em Portugal! Ou talvez seja, apenas, a demonstração clara da criatividade que nos preenche quando somos novos, de sangue na guelra e queremos fazer uma coisa com pinta. Parabéns pelo quarto de século.

Marcelo Trintão


sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Essa coisa de tunante…


Como sabemos, na memória popular, o termo “tunante” transporta conotações algo pejorativas.

Havendo o termo “tuno”, um substantivo masculino, para quem anda numa tuna, por que diabo não poderemos ter o seu feminino “tuna” na vez do termo “tunante”? Sabemos que já existe o homónimo “tuna” para “conjunto de tunos”, mas haverá algum problema em que coexistam?
Se acham isto um bocado estranho, façam o exercício de pensar no feminino do substantivo “músico”… Pois, pois é! É curioso: as designações da pessoa e da arte coexistem.
De todo o modo, até preferíamos “tunista”. No entanto, o pessoal da Invicta era capaz de ficar incomodado com algum prefixo menos oportuno.

Que as meninas se queiram chamar de “tunantes” isso já é lá com elas, mas o que nos faz alguma confusão é o uso do adjectivo “tunante”. Havendo diferentes hipóteses, consoante o sufixo usado (“tunístico”, “tuneril”, “tunil”, “tunento”, “tunino”, “tuneiro”, “tunesco”, “tunal”, “tunar”, “tunaz”, “tunático”, “tunengo”), temos mesmo de aguentar o “tunante”?
Alguns destes termos serão espanholismos, mas “tunante” (provavelmente) também o será.

Já agora, se alguém de direito nos estiver a ler, por favor altere o que consta nesta página do PortugalTunas: http://www.portugaltunas.com/index.php?s=biblioteca&id=8. Citam-nos como fonte do epíteto “Blogue sobre o mundo tunante nacional”, o que não é de todo verdade.
Apesar de estarmos certos da boa-fé do editor, como não somos um blogue sobre vadiagem (apesar de sermos um blogue vadio) sejam uns amigalhaços e ponham, ao invés, “Blogue sobre o mundo das tunas”, “Blogue sobre o mundo tunístico/tuneiro”, ou “Blogue com visão holística das tunas”, “Blogue mal amanhado sobre tunas” ou, apenas, “Tasca dos Pinguins”. É como ficar melhor e der menos trabalho.
Obviamente, estamos cá para ouvir opiniões diferentes e, se for caso disso, mudarmos as nossas.

Muito agradecidos,
Romeu Sereno e o resto da malta

P.S. Marimbei-me para a TLEBS (piada para o MT).

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

É um franchising, estúpido!

E em vez dessas mariquices de federações e quejandos, não podia ser antes um franchising? É que já estou a ver a cena toda…

Fornecemos:

– Traje padronizado individualmente e bandeira/estandarte com símbolo pré-desenhado
– Desconto na aquisição de instrumentos junto de fornecedor de qualidade (instruções em Inglês de Hong-Kong)
– Curso de formação musical de 2 horas creditado com avaliação (Fundo Social Europeu)
– Contactos para actuação grátis em festa académica ou em festa dos bombeiros voluntários
– Rali das tascas pré-organizado (pacote Excelsior)
– Magister incluído por três meses (pacote Excelsior)
– Fatos de pinguim para caloiros (NOVIDADEmuito giros!!)
– Inscrição no PortugalTunas com desconto de 50%
– Código da praxe validado por sargento da 6.ª Companhia de Engenharia destacada nas Berlengas durante a Guerra Colonial (2005-2008)
– Apadrinhamento garantido em cerimónia à beira-mar

E ainda oferecemos, por tuno, após aprovação no curso de formação musical...

– Barril de cerveja do nosso patrocinador oficial (2,5l)
– Emblema “eu também sou tuno” para a capa
– Conjunto quase novo de serpentinas amarelas e verdes do Carnaval carioca de 2003

Preços mediante consulta

Espectáculo!
Marcelo Trintão

sábado, 28 de novembro de 2009

Cogitações sobre o carcanhol

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Peço paciência aos caros leitores, mas tentarei discorrer simplificando o que me parece, apesar de tudo, complexo.

Está provado cientificamente(1) que os tunos primevos tocavam umas modinhas para saciar parte das suas necessidades. Necessidade de amor, de comes e bebes, de guitarradas e de subsídios para os transportes (o passe escolar da altura), entre outras.

Eis que surge o tema de hoje: carcanhol, pastel, pasta, cobres, trocos, pilim, bago, bagalhuço, cheta ou quaisquer outros sinónimos para pôr ao bolso.

Se aos nossos antepassados era lícito embolsar individualmente uma quantia repartida de uma actuação colectiva, tal poderá sê-lo na actualidade? Ficaríamos chocados, ou não, se víssemos um amigo bastar-se ao exercer a sua condição de tuno? E se fosse um antigo estudante a fazê-lo, seria menos lícito?

Estas cogitações já me assaltavam a mente, que não a carteira, há tempo largo. Muitos de vós dir-me-ão que as tunas já não têm existência contingencial, que já não servem para cumprir, financeiramente, esses propósitos e que, agora, são colectividades sem fins lucrativos.

Pergunto-me porque não poderão ter fins lucrativos e porque não poderão servir financeiramente para a satisfação das necessidades individuais dos seus membros. E se for a satisfação financeira plena dessas necessidades (profissionalização)?

Não tenho uma opinião claramente formada a este respeito, mas em qualquer dos extremos opinativos encontro argumentos que contrariam a memória desses nossos antepassados.

Para terminar, o que pensariam se alguém procurasse lançar uma tuna verdadeiramente profissional? Falo de uma tuna e não de um mero grupo musical travestido de bando de pinguins

Declaração de interesses: Obviamente, não pretendo lançar qualquer tuna profissional, ou coisa parecida, tão-só reflectir sobre a problemática do $ no quadro da tuna.

(1) Esta frase fica sempre bem em qualquer conversa de tasca, mormente nesta.
 
Romeu Sereno

quarta-feira, 22 de abril de 2009

O Críquete e a Falácia nos eventos de tunas

Federação Internacional de CríqueteNos eventos de tunas dirigidos a um público (porque também os há para mero consumo das próprias), existe um ponto fulcral no evento: o público. Ou seja, se não nos fixarmos no consumidor cultural, esquecemos o essencial. Bem podemos gostar mais do “intervalo do jogo”, mas não há intervalo sem jogo; mesmo que tenhamos uma lógica de evento mais abrangente do que um mero espectáculo musical.

Como exemplo, no críquete clássico, os eventos poderiam durar quase uma dezena de dias, pois os intervalos do jogo (no sentido estrito) também interessavam e o chá continua a dever ser bebido devagar…

Com o advento dos “tempos modernos”, os intervalos para chá, scones e quejandos diminuíram de duração – a bem da sanidade mental do público, dos jogadores, de todos – apesar de o jogo continuar idêntico na sua essência. E ainda há eventos de críquete a durarem uns bons dias.

Deste modo, temos que, quando o evento não está centrado num público, o ritual continua a ser idêntico e demora-se o tempo que os produtores/consumidores do mesmo entenderem como suficiente para fruir o críquete em todo o seu esplendor.

Ora, esta plasticidade faz-nos falta a todos. Se temos alguém a pagar, seja público, seja patrocinador, devemos proporcionar um retorno adequado ao investimento de essoutro, sob pena de ocorrerem perdas futuras para a tuna (enquanto pessoa colectiva ou enquanto mero conceito). E não me parece que os espectadores de críquete paguem bilhete focados no chá e nos scones (apesar de isto ser parte do contexto cultural deste desporto)!

Naturalmente, nada implica que se atente contra a essência do que é uma tuna, pois quem assiste a um evento de tunas deve esperar ver tunas.

A falácia está em considerarmos que pode haver intervalo de qualidade sem jogo; um pouco ao jeito dos que – por aí e erroneamente – consideram poder haver jogo de qualidade sem intervalo…

Romeu Sereno