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terça-feira, 9 de novembro de 2010

Posta da Semana VII

"Eia, man, bué fixe."

Caros leitores,

Finalmente, voltámos a ter um tópico do Portugal Tunas que se consegue ler com muito proveito para todos!
Direi que, até este momento, 50% das frases escritas são para emoldurar como exemplo, 20% para pensar seriamente e 30% para arquivar no sítio do costume.

Parabéns aos intervenientes, pois já andava a pensar em cortar os pulsos...

Romeu Sereno

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Bullying/violência escolar

Com a proposta de um novo diploma legal sobre bullying/violência escolar, assiste-se à tipificação de um novo crime. Ora leiam lá isto: http://www.publico.pt/Educação/bullying-pode-dar-prisao-se-o-agressor-tiver-mais-de-16-anos_1463395.

Para os mais distraídos, já há gente a ligar directamente a praxe ao bullying/violência escolar.
De seguida e não tardará, lá virá a lengalenga sobre as tunas... Vão começar a dizer que as tunas obrigam os caloiros a saber tocar um instrumento musical, a cantar, a organizar eventos, a desenrascarem-se; por isso estarão a discriminar alunos, o que pode ser pernicioso e causar traumas.

Utilizei propositadamente o termo "alunos" que não "estudantes", pois parecem-me diferentes na atitude do sujeito perante o conhecimento.
Não percebeis este ponto de vista? Azar nítido... Ide estudar.

Marcelo Trintão

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Posta da Semana VI + Comentários

E eu a pensar que era o único a remar neste barco...A posta de abertura do tópico "Camões e Sting" do PortugalTunas deveria ser emoldurada!
Dêem uma vistinha de olhos aqui: http://www.portugaltunas.com/index.php?s=forum&forumid=1&id=30031.

Apesar de não ser bem esse o sentido do texto, parece-me que a lógica de base será a mesma: Alguém com experiência diversificada em mais do que uma tuna decerto trará mais-valias musicais, sociais e outras que tais às tunas a que venha a pertencer.

Para mim isto é tão clarinho que nem o nosso amigo La Palice seria mais óbvio!

"set them free" forever...

Tiago Alegre

Não é muito costume a Tasca dos Pinguins andar a chover no molhado dos outros, mas esta posta merecia relevo.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Operação Facelook

Dei-me ao trabalho de apreciar o caso “Paulo Antão”, pois emerge como paradigmático na sociedade actual. Para começar, tentei dar um nome “à la Judite” a esta operação, mas não sei se atingi o nível de gente tão batida nisto como a da PJ…

Depois de apreciar as imagens, as declarações, as entrevistas, as redes sociais, os comentários nas mesmas e por aí adiante, das duas, uma (ou então ambas):

1. Este senhor é um romântico incurável, que teve azar numa qualquer relação, e quer encontrar, der por onde der, quem lhe aqueça os pés à noite (óbvio anseio de muitos seres humanos);

2. Este cavalheiro ambiciona ser o porta-bandeira de uma lógica que criou o prémio “Revelação” dos Globos de Ouro (http://www.publico.pt/Media/globos-de-ouro-a-23-de-maio-com-novo-premio-revelacao_1434507), a que concorre gente do chamado “espectáculo”, com formações diversas e cujo único denominador comum parece ser o ter iniciado o percurso de “celebridade”, ou como dizia um dos Contemporâneos “Tu queres é aparecer!”.

Tudo estaria bem, se não ficasse com um amargo de boca ao ver tudo isto e com a sensação estranha de que esta questão pode facilmente ser aproveitada pela comunicação social para o achincalhamento dos tunos e das tunas. Estarei enganada?

Deixo-vos com as peças e os espaços consultados.

Programa da SIC “Achas que sabes dançar?”

http://sic.sapo.pt/proj_SabesDancar/Scripts/videoPlayer.aspx?videoId=%7B2B7E1222-E19C-4C69-B618-E94B1BA309EB%7D

Programa da SIC “Companhia das Manhãs”

http://sic.sapo.pt/online/video/programas/companhia-das-manhas/2010/5/paulo-antao03-05-2010-185014.htm

Reportagem do Vidas – Correio da Manhã “Não faço questão de casar virgem”
http://www.vidas.correiodamanha.pt/noticia.aspx?channelid=B2EEF6CE-6025-427C-89E6-4B71D15619D8&contentid=FA2E00AD-75CC-4F4D-8A30-45E721D0C191

Reportagem do Correio da Manhã “O público divertiu-se”

http://www.cmjornal.xl.pt/noticia.aspx?channelid=00000092-0000-0000-0000-000000000092&contentid=2DDB0E72-1055-438F-93E8-04CBC1C9DED2

Espaço de Paulo Antão no Facebook

http://www.facebook.com/people/Paulo-Antao/1785577599#!/profile.php?id=100000997374769&ref=ts

Não quero ser acusada de cyberbullying, nem nada que se pareça, por isso se alguém considerar ofensivo este texto, por favor avise-me. Ainda assim, parece-me que estarei a contribuir para qualquer um dos eventuais desígnios deste cidadão…

Marlene no Arame

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

É um franchising, estúpido!

E em vez dessas mariquices de federações e quejandos, não podia ser antes um franchising? É que já estou a ver a cena toda…

Fornecemos:

– Traje padronizado individualmente e bandeira/estandarte com símbolo pré-desenhado
– Desconto na aquisição de instrumentos junto de fornecedor de qualidade (instruções em Inglês de Hong-Kong)
– Curso de formação musical de 2 horas creditado com avaliação (Fundo Social Europeu)
– Contactos para actuação grátis em festa académica ou em festa dos bombeiros voluntários
– Rali das tascas pré-organizado (pacote Excelsior)
– Magister incluído por três meses (pacote Excelsior)
– Fatos de pinguim para caloiros (NOVIDADEmuito giros!!)
– Inscrição no PortugalTunas com desconto de 50%
– Código da praxe validado por sargento da 6.ª Companhia de Engenharia destacada nas Berlengas durante a Guerra Colonial (2005-2008)
– Apadrinhamento garantido em cerimónia à beira-mar

E ainda oferecemos, por tuno, após aprovação no curso de formação musical...

– Barril de cerveja do nosso patrocinador oficial (2,5l)
– Emblema “eu também sou tuno” para a capa
– Conjunto quase novo de serpentinas amarelas e verdes do Carnaval carioca de 2003

Preços mediante consulta

Espectáculo!
Marcelo Trintão

terça-feira, 1 de julho de 2008

Motivações da estudantada que aparece a querer ir para a tuna mesmo sem fazer puto de ideia do que é uma dita


Nestes anos que levo de tuna, uma das coisas de que não me aparto é do meu espírito de observação e de uma vontade de crítica e autocrítica assim para o agridoce.

Um aspecto interessante das pessoas que chegam às tunas tem que ver com a sua motivação para tentar integrar um grupo deste género. Temos de tudo um pouco como na farmácia. E por vezes aparece-nos gente com várias destas motivações cruzadas.

Ora bem.
Temos o “porque é fixe”.
Temos o “porque gosto de música”, mesmo uivando como um lobo esfaimado e achando que percebe muito da coisa pois tem uma colecção de mais de 500 CD.
Temos os que querem arranjar desculpas para não serem naftalinosos.
Temos os que pensam que, pondo o traje em cima, ficam com um carisma que só lhes escapa a boazona do bairro e porque é fufa! Mas, mesmo assim…
Temos um clássico, dentro do género suburbano ou serrano, que apenas pretende… emborcar. Vale tudo desde que se mamem umas minis à borlix e se comam uns tremoços. Estes costumam acabar por preferir ficar no bar da faculdade a jogar às cartas e a emborrachar-se, pois sempre dá menos trabalho.
Temos, ainda, os que procuram o encantamento da vida académica plena. Às vezes têm sorte e lá lhes calha uma tuna tuna.
Temos os que querem simplesmente viajar, mesmo que em nada contribuam para o bem comum. Também se costumam inscrever no grupo de danças populares, no côro, no desporto universitário e no núcleo de estudantes africanos, mesmo tendo ascendentes luxemburgueses (desde que dê viagens de graça).
Temos, também, a malta que tem uma fixação pela pandeireta. Normalmente, isto nota-se mais nas mulheres, tanto das tunas mistas como femininas. Chegam e querem ir tocar pandeireta, pois parece fácil e dá-se uns saltos na boca de cena…
Temos os que querem aprender a tocar um instrumento. Destes, poucos se aguentam quando percebem que têm de investir muito tempo e dedicação à “causa” da aprendizagem e do treino.
E por fim, temos os famosos “porque sim”. Ahhh. Argumentos sólidos! E ainda falam de iliteracia.

Estou, claro está, a caricaturar as motivações dos estudantes que se apresentam como querendo entrar para a tuna. É assim como que uma iniciação à praxe de tuna, digamos.
Quando comecei nestas andanças, até devia ser dos “porque sim”, pois já nem me lembro dos motivos…

Vá. Respondei ao inquérito com bonomia e ide para a praia.
É possível a escolha múltipla!

Marcelo Trintão

segunda-feira, 26 de maio de 2008

O Sábio – Prólogo e Episódio I

Corriam os anos 90 em força e assistia-se ao final das lutas académicas.

O Serafim era um gajo que havia bebido dos livros – e provavelmente da família – utopias revolucionárias e histórias da luta política à antiga, daquelas com discussões acaloradas pela boémia e pela porrada da polícia. Tudo o que lhe cheirasse a luta estudantil e a uma vida académica significante e marcante seria decerto para explorar. Não era a animação abjecta que procurava, mas tão só a vivência de momentos relevantes no seu percurso, a exemplo do que outras gerações estudantis haviam feito.

Nesses tempos, dois espaços se prestavam a encher-lhe as medidas. O primeiro e mais natural era a política académica, incluindo umas tertúlias informais que por vezes se geravam nesse ambiente das lutas académicas dos 90. O segundo era a tuna, com o seu imaginário das capas pretas, da boémia e da irreverência que transportava.

Tive o grato prazer de me cruzar com este personagem nestes dois espaços. No campo político, partilhávamos discussões infindas à volta de umas cervejolas com mais dois marmanjos – um deles actual presidente de uma câmara municipal, o outro uma referência para a malta da nossa tuna, apesar de estar retirado há muito – e analisávamos a actuação nos órgãos do poder universitário, apesar de sermos de órgãos diferentes e de não partilharmos os mesmos ideais.

Concomitantemente, o Serafim andava na tuna e encarava a coisa com um espírito que não conheci em muitos. Na altura, a praxe da nossa tuna era assim uma coisa um bocado para o insípida, a roçar a mera palhaçada. Isto da tuna sem praxe de qualidade é para meninos e o Serafim ameaçou sair se não fosse praxado com o mínimo de exigência, rigor, dureza e ritual! Julgo que foi aqui que abrimos a pestana e começámos a perceber que a tuna não era só a festa…

Marcelo Trintão

P.S. Tanto a alcunha como o nome deste personagem não são os originais, por motivos óbvios.