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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Um ligeiro equívoco

Sobre o tema do momento, fico encantado por duas pessoas ligadas a tunas chegarem bem longe num concurso musical visto pelo grande público (Ídolos, para os mais desatentos), em especial quando são boa gente.

Andei a navegar na rede e deparei com uma entrevista do Martim em que lhe era perguntado, entre outras coisas, se já havia feito uma serenata a alguém especial.

Reproduzo a passagem:
Já fizeste uma serenata a alguém especial?
Não. Eu sou solista da minha tuna de uma serenata que temos e, por isso, já a cantei em muitos sítios, nos quais a dedicava normalmente às mulheres que lá estavam presentes. Seriam com as palmas destas que se saberia se a tuna ganharia ou não o prémio final.

Não pressentem aqui um ligeiro equívoco? A magia de fazer uma serenata não me parece a mesma magia de evocar uma serenata para ganhar o prémio final.

Se esta visão vingar, qualquer dia apenas restará às tunas retratar uma realidade desaparecida in illo tempore, quais grupos folclóricos. A bem ver, poderão não andar longe disso...

O mais curioso é que não lembra a ninguém fora deste nosso meio vir perguntar se uma tuna ganhou algum prémio. Porque será?

Tiago Alegre

P.S. Aceito que se o “prémio final” houver sido mencionado em sentido figurado, a coisa até possa fazer algum sentido… Embora, nesse caso, a questão das mulheres a bater palmas já me pareça um avanço extremamente arrojado. :)

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Posta da Semana V + comentários

Não resisti ao desafio da memória...
Belo parágrafo, este: «E mais vos digo: Num certame a sério, daqueles á antiga, de Tunas mesmo, dificilmente alguém faria melhor que uma Medicina de Múrcia nos seus tempos aureos, ou Deusto de inícios dos anos 90, e só para dar dois exemplos. Dificilmente. Quer em baixo do palco quer em cima. Dificilmente. Até porque em baixo do palco facilmente eles nos dão lições.».
Vejam o seu autor em http://www.portugaltunas.com/index.php?s=forum&forumid=1&id=29685. Só faltaram duas pequenas coisas para ficar perfeito: acertar com os acentos e incluir a Quarentuna de Barcelona...
Querem saber? Lá para o início da década de 90, num FITUP, os quarentunos a tunarem num bar da Ribeira até às 6 da matina e eu a ver, pasmado, a pica de alguma malta já a chegar aos sessenta anos. E lindo, lindo, foi o solo brutal de um dos tais, logo no dia seguinte, que não vai de modas e sai dos micros a botar voz na boca de cena de um Coliseu do Porto a abarrotar!
Venham de lá os meninos da aguinha natural, sem gás e bebida em pequenos golinhos*, que se deitam às onze da noite, bater tunos destes. O que lhes falta é rodagem e aprenderem a não beber mais copos que a medida certa, como faz qualquer pessoa que sai à noite e quer chegar a casa sem se arrastar...

Cito também esta passagem, no mesmo local, mas de outro contribuinte líquido para estas coisas: «No fundo, talvez fosse o melhor: ninguém em cima do palco e todos cá fora a desbundar. Mas enquanto aceitarmos ir ao formato "festival" tal como por cá se entende, o mínimo que podemos fazer é respeitar o esquema. De outra forma, para sermos coerentes, aparecemos à porta do teatro no dia e ficamos pura e simplesmente cá fora a tocar.», muito ao jeito de uma posta que aqui publicámos sobre a essência destas coisas.

Outro comentador diz e muito bem: «Quando toca a prémios e a medir o grau tunante, instala-se um autismo acéfalo onde vale tudo.»... por isso mais vale abandonar essa guerra e procurar um pouco mais à frente.

Para terminar, deixo mais um bocado roubado a outro dono: «Neste fim-de-semana em conversa com um amigo que já não via desde o ano passado calhou a expressão parecida com esta "pois temos de ter cuidado aqui porque a malta ainda tem a ideia que somos todos bêbados e hooligans". Resposta de outro que também estava junto à conversa "Se existe a imagem por alguma razão é".». Mainada!


Para terminar, convém mencionar a posta que foi o mote para tudo isto... http://manifestoantiimunodeficienciatunante.blogspot.com/

Marcelo Trintão

* Nota: figura de estilo propositadamente aposta.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Agência Lusa, TUIST e aqueles gajos chatos que têm a mania de ser donos da verdade cultural

Os grandes eventos de tunas têm a particularidade de se revelar em pormenores que o não são. Para os mais desatentos, parecerão coincidências; para os que já penaram por dentro deste género de organizações, são o corolário de um trabalho dos diabos.
De vários eventos que fui conhecendo, retenho alguns. O FITUP pelo público mais do que ao rubro, o Camoniano pela produção quase cinematográfica, e o TUIST pela capacidade de conseguir comunicar com o grande público. E outros ainda pelo espaço, programa social, ou ambiente tunístico.
Falo-vos disto, pois não haverá muita tuna que consiga o feito de ver a Lusa a enviar textos para os órgãos de comunicação social. O TUIST ter sido, hoje, um dos destaques da página de entrada desta agência noticiosa não é para muitos. Especialmente se considerarmos a aversão dos pseudo-intelectuais que dominam os cadernos culturais no jornalismo português da actualidade.
Se considerarmos que metade do que se escreve em jornais e portais de notícias procede da Lusa, imaginem o impacto que deve ter sido na cabecinha de certos senhores.
Muito bem! Continuem, pois o tunos&tunas cá estará para “malhar na oposição”…

Tiago Alegre

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Importa-se de Repetir?

Amigos, desculpem-me, mas não resisti…

Isto não é sobre tunas, mas esta senhora quase parece um apresentador manhoso; como um que, num espectáculo em que actuei, abriu a bocarra e proferiu: “Já de seguida, vamos ter o Grupo Tuna”.

“(…) Tem miúdos que levam canivetes, tem casos de alunos que levam a espingarda do pai que é caçador. Tem um conjunto de casos muito variados.”
ww1.rtp.pt/noticias/index.php?article=337487&visual=26
Maria de Lurdes Rodrigues, Ministra da Educação, desvalorizando a existência de armas nas escolas.

Muito bom. A minha alma está parva e as dos miúdos que vão caçar gambozinos para as escolas com a caçadeira dos pais também devem estar.
Aliás, aqueles grupos de jovens da paróquia que pregam o bem na saída de algumas escolas levam caçadeiras para ensinar os mais novos a caçar no pátio da escola. Além de terem canivetes nos bolsos para fazer esculturas de madeira no intervalo das aulas.

“Dá-me a caçadeira já!”

Tiago Alegre